Espaço de apoio à promoção da leitura e da escrita criativa nas Escolas do 1º Ciclo e Jardins de Infância.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Lengalenga



 Estas são as propostas dos adultos.. Os alunos Beatriz Carvalho, Cátia Anacleto, Daniel Silva, Fátima Dias e Rosalina Valério, da EB 1 de Vila Chã, apresentam as suas. Parabéns!

 

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"O menino que não gostava de ler"

O livro visto pelos olhos de alguns meninos de Vila Chã.

" O menino que não gostava de ler" de Susanna Tamaro


(...) Pela consistência e pelo peso, apercebera-se imediatamente de que não era de esperar nada de bom do embrulho que a mãe lhe fizera escorregar para as mãos. Desembrulhara-o lentamente, com circunspeção, como se lá dentro estivesse uma bomba prestes a explodir. Quando, em vez das sapatilhas, lhe apareceram dois livros de capa luzidia, não aguentou mais e desatou a chorar, tal a raiva que sentia. No rosto dos pais estampara-se uma grande desilusão.
  Meu anjo ― dizia a mãe ―, não é preciso chorares agora, choras depois de os teres lido.
  -Olha! já viste que lindas ilustrações coloridas? dizia o pai, prazenteiro.
Leopoldo tinha-os atirado ao chão com raiva e, batendo com a porta, tinha-se ido refugiar no quarto.
Desde que nascera que, pelo seu aniversário, não tinha recebido senão livros. Primeiro, livros fofos de pano, depois, livros com grandes desenhos e poucas palavras, depois, ainda livros, mas com muitas palavras e poucos desenhos. Da sua cama, ao erguer o olhar, não conseguia ver senão estantes e estantes cheias de livros e, de todos esses livros, não havia sequer um que ele tivesse desejado.
Pouco depois, naquela mesma tarde, quando a mãe com voz persuasiva, por detrás da porta, o fora convidar para apagar as velas do bolo, ele gritara:
Apaguem-nas vocês! ― e depois, para não ouvir mais nada, enfiara a cabeça debaixo do travesseiro.
Estava triste e furioso. Parecia-lhe impossível que os seus pais, após oito anos de convivência, não conseguissem perceber que os livros não lhe interessavam para nada! Que os pais gostassem, tudo bem, mas não era por isso que ele haveria de gostar.
Bastava-lhe olhar para aquela superfície branca cheia de gatafunhos pretos, para que a cabeça lhe começasse a andar à roda como se fosse um carrossel.
No ano anterior, a mãe, preocupada com os seus péssimos resultados escolares, tinha-o inclusivamente levado a um psicólogo. O psicólogo tinha-lhe feito imensas perguntas, tinha-o feito brincar com uns cubinhos de plástico e depois, no fim, tinha dito:
Papirofobia, mais um caso de papirofobia.
(...)
  Excerto de "O menino que não gostava de ler ", de Susanna Tamaro

Ainda a propósito da leitura de "O mistério da minha vizinha"



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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O Lobo e o Cordeiro

O Lobo e o Cordeiro

Certo dia, junto ao rio,
Andava um lobo a montante,
Quando deu c’o olhar bravio
Sobre um cordeiro a jusante,
Sobre as águas debruçado.
E com o maior desplante,
Quis sentir justificado
O ataque que forjou
Para se ver saciado.
Pelo anho então chamou,
Abonando à violência:
“Irado deveras estou
Com a tua impertinência!
Suja, aqui, a água aflora
Pela tua negligência!”
Ao que o cordeiro, em má hora,
Inda inocente contesta:
“Está a minha culpa fora,
Como este lugar atesta:
Vem daí a correnteza.
Logo, quem a água empesta
Estará com toda a certeza
Para os lados da nascente.”
“Qual é a tua defesa,
Já que disso estou ciente,
Das calúnias que apregoas
Há um ano, a toda gente,
Sobre mim e outras pessoas?”
“Tal coisa não fiz, senhor.
Minhas escusas são boas:
Podeis ficar sabedor
Que só nasci há seis meses.”
“Se delas não foste autor,
Foi qualquer outra das reses
Do rebanho onde hás nascido.”
Sem argumentar mais vezes,
Estando na razão vencido,
Abocanhou o cordeiro,
Que se viu, assim, perdido.
É triste, mas verdadeiro
Concluirmos sem engano
Que qualquer mote traiçoeiro
Serve de lema ao tirano.

A mesma fábula, vista pelos olhos dos meninos do Jardim de Infância de Pinheiro de Lafões: